O
polêmico tema foi objeto do estudo comparativo “O uso de medidas flexíveis
para lidar com crise econômicas na Alemanha e no Brasil”, de autoria de Werner
Eichhorst e Paul Marx, do Instituto de Estudos do Trabalho de Bonn, e José
Pastore, da Universidade de São Paulo, apresentado no seminário.
Participaram também da mesa o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Pedro
Paulo Teixeira Manus, e o professor de Direito do Trabalho da Universidade
Mackenzie e FAAP, Luiz Carlos Robortella.
A
discussão foi coordenada pelo professor Pastore, que ressaltou a qualidade do
trabalho do senador Armando Monteiro no Congresso Nacional, na busca de
melhorar o arcabouço legal que rege as relações trabalhistas no País. “Armando
Monteiro é uma liderança de quilate inquestionável e preparado para o avanço
que necessitamos no trato das relações entre capital e trabalho”, disse ele,
ressaltando que, no Brasil, diferentemente da Alemanha, as relações, balizadas
por lei, são mais engessadas. Ele lembrou que o tema é caro ao senador, que
lutou pelo mesmo ideário, nas duas gestões à frente da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), no período de 2002-2010, e no período anterior, como
presidente de sindicato. “Armando sabe que a flexibilização é importante para a
competitividade do País.”
Eichhorst
pontuou, por sua vez, que, na Alemanha, “quase tudo é acertado por negociação
coletiva. Não há interferência nem do Poder Executivo nem do Legislativo. Há um
espírito construtivo entre o lado laboral e o do capital.” Na Alemanha, o uso
de banco de horas, flexibilização de jornada e salário, tempo parcial, prazo
determinado, trabalho temporário e outras formas de ajuste fazem parte da
rotina das negociações entre empregados e empregadores. No Brasil, as
resistências ainda são grandes e decorrem, em grande parte, da idéia de
precarização dos direitos e do receio de que as decisões negociadas sejam
posteriormente anuladas pela Justiça do Trabalho, o que não ocorre na Alemanha.
O
senador Armando Monteiro reconhece que tabus e preconceitos permearam esse
debate ao longo dos tempos, no Brasil: “O ímpeto reformista foi sempre barrado
por forças localizadas nos setores mais atrasados e conservadores desse
ambiente.” Para ele, há uma relação direta entre a qualidade do ambiente
institucional e a maior dinâmica do trabalho nos países. “A façanha dos
alemães, cuja economia opera quase de pleno emprego, é digna de nota.”
O
desempenho das duas economias, brasileira e alemã, durante a crise de
2008-2009, chama a atenção como ponto comum. Em ambas, a geração de empregos
foi retomada rapidamente e o desemprego ficou em torno de 7%, enquanto outras
nações do G20 amargaram taxas de desocupação de 9%, 10% e até mais,
lembrando-se que a da Espanha ultrapassou a casa dos 20%. O estudo apresentado
deixou evidente que, ao lado de estímulos econômicos (redução de impostos,
oferta de crédito, programas de investimento de emergência e outros), o uso de
medidas flexíveis no campo trabalhista desempenhou um papel estratégico para
manter empregados de boa qualidade nas empresas que realizaram ajustes de
jornadas, de salários, de formas alternativas de contratação e outras.
“Avançar
é difícil. Mas julgo que a sociedade brasileira está acordando para a necessidade
de mudanças nessa área. Precisamos retomar a agenda de reformas que abandonamos
e, entre essas, especialmente, a trabalhista e sindical”, disse o senador.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Um 2012 repleto de realizações